A civilização nova

Jornalista Onofre Ribeiro

Um pequeno resgate da história da ocupação amazônica e do Centro-Oeste

A partir de toda aquela polêmica envolvendo incêndios e desmatamentos na Amazônia, propus-me a resgatar um pouco da história regional, da ocupação amazônica, do Centro-Oeste e do Brasil. Quem sabe contribuo com alguns elementos para a necessária reflexão depois de tudo.

Inevitável falar de Brasília como polo e ponto de partida para tudo acontecer. Sonho antigo, foi construída entre novembro de 1956 e abril de 1960,  inaugurada como a nova capital do país. Aqui permito-me sair um pouco dos trilhos da História. Em torno do presidente Juscelino Kubitschek havia um grupo de espiritualistas que se ligavam muito na Terceira Profecia de Dom Bosco. Era um sacerdote italiano que sonhou em 1883 com uma cidade futurista dentro dos paralelos 15 e 20 da América do Sul. (No Google o assunto é vasto).

Inevitável falar de Brasília como polo e ponto de partida para tudo acontecer

No caso de Mato Grosso especificamente, a reação a partir de Brasília é gritante. Cuiabá tinha 50 mil habitantes em 1950 e saltou pra 100 mil em 1970, graças a Brasília e mudou o eixo de influência que antes era o Rio de Janeiro. Mato Grosso (o Norte) tinha 600 mil habitantes em 1970. Saltou pra 1 milhão 139 mil em 1970. Mas aí as influências são de migrações vindas do Sul e do Sudeste principalmente, pra ocupar a Amazônia e o Centro-Oeste já nos governos militares.

Chegaram levas e mais levas de migrantes em busca de terras e de colonizações nas regiões Norte, Médio-Norte e Araguaia, atraídos pelo projeto de “Integrar pra não Entregar” a Amazônia ao sonho europeu de internacionalizar a Amazônia. Desse projeto de migrações nasceram Sinop, Colider, Alta Floresta, Matupá, Guarantã do Norte, Juara, Porto dos Gaúchos, Juína, Canarana, Água Boa, Gaúcha do Norte, Marcelândia, entre outras cidades.

O que talvez seja extraordinário é que a civilização das outras regiões tenham se casado tão bem aqui. Houve certo estresse mútuo no começo dos anos 1970, mas depois os filhos começaram a se casar entre si e a percepção mudou. As culturas locais e as migrantes acabaram por se juntar e se criar um novo biotipo humano. Aliás, chamado de “bugre do olhos azuis”, pelo ex-delegado do IBGE no estado, professor Nelson Pinheiro no primeiro censo de 1980.

Hoje se tem em Mato Grosso uma nova eugenia formada por gentes de todas as bandas. O progresso do Estado deve-se muito a isso. E o futuro dessa gente nova e misturada está construindo aquela nova civilização do sonho de Dom Bosco e do idealismo dos construtores de Brasília.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Cuiabá

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